Apá maltinha, ouve lá com atenção quiste é daquelas histórrias assustadourras de meterr mêde ó suste! Levantê-me cedinhe prra darr um cadinhe de óleo às perrnas. Vesti a nha calcinha de licrra mêmo à manêrra, toda enfiadinha po cu, uma camiselinha cheia de letrras flurrescentes prra parrcerr que sou patrrocináde e os mês óclinhos escurres de ciclisme. Lá fui eu no mê Ferrárri, que é a nha biciclêta de estrráda que me empenhou o orrçamente toude lá de cása!
Táva eu a pedalárr munte bem prrós ládes da zona ribeirrinha quande veje um navie mêmo baixinhe, quase nã se distinguia o márr da terra. De repentemente, sinte uma bicáda da perrna! Apá, olhei prra baixe e tinha uma sapatêrra pendurráda da nha perrna ca pinça! Arranquei aquela mérrda, fiquei logue com um ganda golpe e trravei a funde caté os ócles sairrem disparrádes. Quande olhe prrós pneus, távam lá mai duas sapatêrras a corrtarr os pneus toudes, e desatei a darr pontapés da biciclêta!
É aí quê veje, a virr lá du navie, um batalhão de sapatêrras assassinas em dirrecção a Setúbal! Apá sóce, erra um barrulhe assustadourr: plic, plic, plic, plic! Ainda hoje oiçe essa merrda dus ouvides! Caguei pá biciclêta e desatei à fegida, a saltárr porr cima delas e a esmagárr umas quantas.
Aquela bicharráda tinha uns olhinhes verrmelhos luminosos caté me hipnotizavem. Cumecei a penssarr nelas cuzidinhas com um belo vinhe brranque, mas o plic plic plic acorrdou-me e dei à páta porr ali afórra em dirrecção à Serra da Arrábida. Subi a uma árrvurre, mas vierrem umas sapatêrras maiorres que parreciem marrtéles pneumátiques a desfazêrr o trronque toude!
Tive que currerr mai prrós ládes de Palmela. Nisse, ligo ó mê amigue Frrancisco Camolas lá da Adega Camolas: "Apá Frrancisco, salva aqui o tê amigue! Pega num camião cisterrna cheinhe de vinhe brranque, o maiórr que tivérres, levó pó Castelo de Palmela e aponta-o cá prra baixe!".
Lá ia eu a subirr a ladêrra de Palmela, que aquile é aquáse a pique, e as sapatêrras semprre atrrás de mim no sê plic plic plic. Quande tava quási a chegárr ó Castélo, fiz o sinal ó Frrancisco. Abri a boquinha prra apanhárr uns pingues de vinhe brranque e saltei o murre! O vinhe brranque vei tude lá d'alte e bateu nas sapatêrras assassinas, derretende aquela mérrda touda come se fousse ácide!
Fiquei tã feliz nesse dia. Aprrendi qum gaje com calma chega lá e que a sapatêrra com vinhe brranque é même a melhórr combinação! Áhua!



