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MEMÓRIA
Da lota à lata: a cidade moldada pelas conservas
Na primeira metade do século XX, Setúbal foi o maior porto conserveiro do país. A antiga fábrica Perienes, onde hoje funciona o Museu do Trabalho Michel Giacometti, preserva máquinas, espaços e testemunhos de um ciclo industrial que transformou a frente ribeirinha e a vida de milhares de trabalhadores.
A abundância de sardinha e a ligação ao porto fizeram de Setúbal um dos grandes centros portugueses da indústria conserveira. A produção industrial de conservas de sardinha pelo método de esterilização arrancou na cidade em 1854 e, entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, as fábricas multiplicaram-se junto ao rio, deixando na paisagem as suas chaminés de tijolo. O Museu do Trabalho Michel Giacometti ocupa a antiga fábrica Perienes, que laborou até 1971, e conserva no próprio local a cadeia de trabalho tradicional — da chegada do peixe à preparação das latas. Mais do que guardar máquinas, o museu recolhe história oral e memórias de antigos trabalhadores, permitindo contar a industrialização de Setúbal através de quem a viveu.